‘Jovem Repórter’ na Flip: “Se tivesse um projeto como esse em cada escola da cidade, não teria ninguém fora dela”

De que se alimenta um bom repórter? ‘Furos’ jornalísticos, prática, perguntas certas? Estudantes de escolas públicas puderam refletir sobre essas questões durante os cinco dias da 17ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2019), entre 10 e 14 de julho. Com idade entre 13 e 20 anos, eles fizeram parte do Jovem Repórter, projeto que acontece pelo terceiro ano consecutivo como parte do programa educativo do festival.

Promovido pelo Instituto Asas, de São Paulo, que tem como foco a educação e a comunicação social para capacitação de jovens por meio de diferentes linguagens – texto, fotografia e audiovisual –, o projeto teve origem em 2013, no extinto Festival da Mantiqueira, e passou por outros festivais literários, como o de Extrema e a Flip.

Em 2017 – primeiro ano do Jovem Repórter em Paraty –, o projeto contou com 18 participantes; em 2018, foram 22 convocados. “A participação foi maior neste ano de 2019. Recebemos 43 estudantes, sendo que 20 deles participaram também no ano passado”, disse Lucia Caetano, diretora do Instituto Asas e coordenadora-geral do projeto.

Em vídeo realizado pelo Jovem Repórter, Natalia Moreira, uma das participantes em 2017 e monitora em 2018, expressou a relevância de projetos como este para a comunidade: “se tivesse um projeto como esse em cada escola da cidade, não teria ninguém fora dela. “Espero que vocês voltem. O jovem de Paraty precisa muito de incentivo”, disse ela.

Segundo Lucia, alguns jovens fazem parte do projeto desde a primeira edição, o que demonstra a preocupação do instituto com a formação contínua dos estudantes. Os mais experientes tornam-se monitores, apoiando as atividades dos recém-chegados.

Queremos encontrar o ponto onde eles são tocados pela literatura”, afirmou Lucia. Se houve o despertar para a escrita? Ela informa que já há um escritor entre os alunos: “são jovens de um talento nato”.

Oficina do projeto Jovem Repórter.

A preparação pré-Flip

Pela primeira vez, antes da Flip, entre os dias 5 e 8 de julho, os estudantes puderam participar também do Laboratório Criativo de Audiovisual, que contou com oficinas sobre técnicas de jornalismo multimídia – uma espécie de preparação para a cobertura do festival. Além disso, os alunos tiveram aulas sobre a vida e obra de Euclides da Cunha, autor homenageado nesta edição, e puderam se preparar para a abordagem de diversas temáticas discutidas na Flip.

Entrevista dupla: a cobertura do Oceanos na Flip

No sábado (13), na Casa Edições Sesc, três estudantes assistiam à mesa Os sertões: cinema e literatura, com a jornalista portuguesa e curadora do Oceanos Isabel Lucas e o cineasta português Miguel Gomes, enquanto tomavam notas em seus cadernos. Terminada a conversa, os participantes se reuniram com os repórteres-mirins nos jardins da casa colonial.

 Isabel Lucas sendo entrevistada poe Kamilly, do projeto Jovem Repórter.

A jovem repórter Kamilly trouxe temas como fake news e a experiência dos entrevistados em Canudos. Em sua primeira entrevista com dois autores juntos, confundiu-se ao tratar das viagens da jornalista, que esteve no sertão baiano neste ano – como parte do projeto literário Viagem ao país do futuroe, em 2016, nos Estados Unidos – para escrita do livro Viagem ao sonho americano.

Lucia ponderou a importância de equívocos como este para a formação dos jovens: “faz parte do aprendizado deles”, disse. Miguel, que filmará uma adaptação d’Os sertões no ano que vem, reconheceu, por outro lado, os aspectos positivos: “Foi minha melhor entrevista na Flip”, brincou.

Assista aqui aos vídeos registrados pelo projeto Jovem Repóter em Paraty.

Miguel Gomes sendo entrevistado pelo projeto Jovem Repórter.