Os 10 livros finalistas do Oceanos 2019 em pauta

Homenagear e reconhecer as qualidades dos 10 livros finalistas: foi este o principal objetivo das mesas que, pela primeira vez, fizeram parte da cerimônia de divulgação dos premiados no Oceanos 2019.

Em duas sessões abertas ao público, os cinco jurados da etapa final, mediados pelos curadores e jornalistas Isabel Lucas (de Portugal) e Manuel da Costa Pinto (do Brasil), puderam discutir, ler e analisar as obras concorrentes.

O evento aconteceu no Itaú Cultural, em São Paulo, na manhã do dia 5 de dezembro. Assista abaixo aos vídeos da análise de cada um dos livros finalistas.

A tirania do amor (Todavia), de Cristovão Tezza – comentado por Daniel Jonas

Quando comecei a ler o livro, pensei: este homem (Cristovão Tezza) é um mestre, está em pleno uso de seus poderes.”

 

Meio homem metade baleia (Companhia das Letras Portugal), de José Gardeazabal – comentado por Eliane Robert Moraes

(Este livro) tem uma atualidade que eu acho surpreendente. É um livro difícil, é cosa mentale, cheio de citações. É ‘papo-cabeça’.”

 

Sorte (Moinhos), de Nara Vidal – comentado por Daniel Jonas

Uma imersão nesse bengo da Sorte é uma experiência absolutamente aconselhável para dias que tenhamos mais confiança em nós próprios, para não sairmos arrasados da leitura deste livro tão enxuto e tão certeiro.”


 

O preto que falava iídiche (Record), de Nei Lopes – comentado por Eliane Robert Moraes

A princípio este parece um livro mais tradicional, porque é um romance histórico. Mas, de repente, tem uma coisa de rancho carnavalesco, de samba-enredo, cheio de quadros – e aí a voz do autor fala mais alto, porque o Nei Lopes é um grande compositor de samba.”

 

Sua Excelência, de corpo presente (D. Quixote), de Pepetela – comentado por Manuel Frias Martins

Este livro é acerca de uma realidade política vivida na maior parte do países da África – sempre nos meandros corruptos do poder, do nepotismo familiar, do desastre que é, em muitos casos, a gestão da coisa pública. Tudo isso contado com um humor, com uma ironia finíssima.”

 

O imortal (Companhia das Letras), de Mauricio Lyrio – comentado por Veronica Stigger

Ele tem um tom satírico que se refere principalmente a dois mundos: o da política e o da literatura. (…) O grande encanto é ter essa pegada divertida, se arriscar a prever um futuro próximo justamente nesse quadro político em que nós estamos.”

 

Alguns humanos (Tinta-da-China Brasil e Portugal), de Gustavo Pacheco – comentado por Maria Esther Maciel

“(Gustavo Pacheco) nos oferece um livro bastante intrigante e inusitado em vários momentos. Nós temos um desafio dos gêneros literários e uma visão contemporânea da situação dos viventes no mundo ao longo dos tempos.”

 

Ensina-me a voar sobre os telhados (Companhia das Letras Portugal), de João Tordo – comentado por Veronica Stigger

É muito interessante a maneira como o João Tordo narra, a maneira como ele vai montando a história, o domínio que ele tem da escrita. O livro tem 478 páginas e é um livro conciso, por incrível que pareça, até porque ele se propõe a contar essa saga. A linguagem é muito sóbria e muito precisa.”

 

Eliete (Tinta-da-China Portugal), de Dulce Maria Cardoso – comentado por Manuel Frias Martins

São passagens que no fundo representam a linguagem do real, que está no limite da vulgaridade – e que só não cai na vulgaridade porque é uma escritora que reconhece até onde que é possível ir com a linguagem do real. Este é de fato o romance mais contemporâneo.”

 

Luanda, Lisboa, Paraíso (Companhia das Letras Portugal), de Djaimilia Pereira de Almeida – comentado por Maria Esther Maciel

É um romance sobre esperança e desespero. E o mais interessante é que é conduzido de uma maneira muito envolvente, com um apurado trabalho de linguagem, um domínio grande da narrativa e sobretudo uma engenhosidade na costura íntima dos detalhes. É também um romance que se furta à obviedade no trato de questões político-sociais.”