Festival Literatura-Mundo do Sal: o leitor precede o escritor

Da esquerda para a direita, Arménio Vieira, Julian Fuks, a moderadora Isabel Lucas, Natália Porta Lopez, Daniel Medina e Vilma Galhego

A quarta mesa do Festival Literatura-Mundo do Sal, “Diálogos e intertextualidades”, teve a mediação da jornalista cultural portuguesa e curadora do prêmio Oceanos Isabel Lucas, e reuniu Daniel Medina, jornalista e crítico de arte cabo-verdiano; Natália Porta Lopez, especialista argentina em formação de leitores e diretora da Fundação Mempo Giardinelli; Vilma Galhego, professora da USP e integrante do grupo de estudos de literatura cabo-verdiana; Julian Fuks, escritor vencedor dos prêmios Oceanos e José Saramago; e Arménio Vieira, consagrado poeta cabo-verdiano, vencedor do prêmio Camões 2009.

A partir da leitura de Jorge Luís Borges e de textos originais de Arménio Vieira, os debatedores posicionaram-se contra a tentativa de restringir qualquer literatura às suas fronteiras nacionais. No que se refere à formação de leitores, foi dito que ninguém se torna escritor antes de ser leitor, e que a sociedade deve saber valorizar a literatura, apesar de sua aparente e enganosa inutilidade prática, pois sem ela as pessoas e os povos não teriam uma de suas mais profundas formas de representação. Outros temas debatidos foram: futebol e literatura, campanhas bem-sucedidas para a popularização da literatura e políticas públicas nesse sentido, diferenças entre a escrita literária e a jornalística, literatura comparada, bloqueios literários e truques para desfazê-los, critérios para o jornalismo cultural, perda de espontaneidade na leitura e profissionalização na área.