O incêndio em Notre-Dame na crônica de Isabel Lucas

por Leonardo Piana

Poucos desastres têm a amplitude simbólica de um que leva consigo, em chamas, a história de um povo, de uma era, de um continente. Ou menos, até: é possível que haja desastres que levem nossas histórias mínimas, de momentos que – sem razão aparente – não conseguimos esquecer.

Em sua crônica semanal para a coluna O Fio da Meada, da RTP, a jornalista e curadora do Oceanos Isabel Lucas busca dar conta da perda da Catedral de Notre-Dame em uma breve investigação sobre a arte, o tempo, a memória. É inevitável, num momento como esse, a comparação com o incêndio que atingiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, no fim do ano passado. Este, por sua vez, levou consigo uma parte da história da humanidade ao extinguir, por exemplo, Luzia, o fóssil humano mais antigo encontrado na América, entre outros milhões de peças raríssimas.

“Queríamos que nos dissessem o que quer dizer isso, de ver Notre-Dame a arder”, pede Isabel. Mas as tragédias tiram-nos senão isto: as respostas, quando nos sobram perguntas.
Ouça aqui a leitura do texto pela jornalista.