Paulina Chiziane vence Prêmio Camões 2021

Paulina Chiziane | Foto: Otávio de Souza

Primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, Paulina Chiziane também é a primeira africana a receber o Prêmio Camões, anunciado na última quarta-feira, 20 de outubro. Nascida em Manjacaze, uma pequena vila a 260 quilômetros da capital Maputo, Paulina foi combatente na Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e, após abandonar a militância, decidiu dedicar-se exclusivamente à literatura.

Lançou “Balada de amor o vento” em 1990 – que não só marcou sua estreia na literatura, mas abriu espaço para que outras escritoras pudessem seguir o mesmo caminho. O feito está aliado com as linhas de força da literatura de Paulina, que enlaça a luta anticolonial e a experiência desafiadora da mulher moçambicana. “Niketche”, de 2002, é um romance – ou uma história, como a escritora prefere chamar – fundamental para entender as estruturas patriarcais do país. Nele, a narradora Rami questiona o mundo – e a si mesma – sobre as fronteiras entre um casamento ambíguo e a liberdade para nadar contra a correnteza social.

Aos 66 anos da autora, o Prêmio Camões consagra sua importância para a literatura em língua portuguesa. Patrocinada pelos governos de Brasil e Portugal, a distinção – no valor de 100 mil euros – é considerada a mais importante da língua portuguesa, tendo condecorado nomes como José Saramago, Pepetela, Lygia Fagundes Telles e Mia Couto.

Em janeiro deste ano, a jornalista portuguesa e curadora do Oceanos Isabel Lucas conversou com a escritora no primeiro episódio do podcast Cruzamentos Literários. Paulina discutiu, de maneira direta e bem humorada, sexo, racismo, poligamia, diversidade cultural e outros temas ligados à realidade social de Moçambique. O programa foi ilustrado com leituras de “Niketche” pela escritora brasileira Veronica Stigger. Confira aqui.