Prêmio Oceanos 2019

Vencedores

O primeiro colocado foi o romance Luanda, Lisboa, Paraíso (Companhia das Letras Portugal e Brasil), da escritora portuguesa nascida em Angola Djaimilia Pereira de Almeida. O romance Eliete (Tinta da China Portugal), da portuguesa Dulce Maria Cardoso, ficou com a segunda colocação e, em terceiro, o romance Sorte (Moinhos), da brasileira Nara Vidal.

1º colocado – Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida

De acordo com o júri, neste romance que narra o trajeto de pai e filho de Luanda para Lisboa – tendo como destino final, em Lisboa, o ‘bairro de lata’ (favela) de Paraíso –, Djaimilia Pereira de Almeida compõe, através de linguagem viva, um relato sensível sobre as ilusões e desilusões do mundo pós-colonial.”

2º colocado – Eliete – A vida normal, de Dulce Maria Cardoso

Nas palavras do júri, “exílio existencial e solidão de uma mulher de classe média estão impressos neste romance acerca do tédio da sociedade contemporânea, do vazio da vida urbana e das redes sociais.”

3º colocado – Sorte, de Nara Vidal

Com uma linguagem austera, reduzida ao osso da palavra, o romance de Nara Vidal aborda a imigração para o Brasil no século 19 e a degradação da mulher em um ambiente marcado pela escravidão e pelo racismo”, concluiu o júri.

O livro vencedor receberá R$ 120 mil; o segundo colocado, R$ 80 mil e o terceiro, R$ 50 mil. A cerimônia de anúncio no dia 5 de dezembro, no Itaú Cultural, em São Paulo. Os três livros foram escolhidos pelo Júri Final, do qual participaram dois portugueses: o poeta Daniel Jonas e o crítico literário Manuel Frias Martins; e três brasileiras: as escritoras Maria Esther Maciel e Veronica Stigger, e a crítica literária Eliane Robert Moraes.

Manuel da Costa Pinto, Manuel Frias Martins, Veronica Stigger e Maria Esther Maciel | Foto: Agência Ophelia

Isabel Lucas, Eliane Robert Moraes e Daniel Jonas | Foto: Agência Ophelia

Aberta ao público, a cerimônia de anúncio dos vencedores contou também com um debate entre os jurados sobre o atual momento da literatura em língua portuguesa a partir dos 10 livros finalistas. A mediação ficou por conta dos jornalistas e curadores do prêmio Isabel Lucas (de Portugal) e Manuel da Costa Pinto (do Brasil).

Assista abaixo a cerimônia na íntegra:

Finalistas

Os três livros vencedores do Oceanos 2019 foram eleitos a partir de uma lista de 10 obras finalistas, definidas pelo Júri Intermediário. Classificaram-se nove romances e um livros de contos, de autores de três continentes: cinco brasileiros, quatro portugueses e um angolano. Foram eles:

  • A tirania do amor, de Cristovão Tezza ~ romance / Brasil, Todavia

  • Alguns humanos, de Gustavo Pacheco ~ contos / Brasil, Tinta-da-China

  • Eliete, de Dulce Maria Cardoso ~ romance / Portugal, Tinta-da-China

  • Ensina-me a voar sobre os telhados, de João Tordo ~ romance / Portugal, Companhia das Letras Portugal

  • Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida ~ romance / Portugal, Companhia das Letras Portugal

  • Meio homem metade baleia, de José Gardeazabal ~ romance / Portugal, Companhia das Letras Portugal

  • O imortal, de Mauricio Lyrio ~ romance / Brasil, Companhia das Letras

  • O preto que falava iídiche, de Nei Lopes ~ romance / Brasil, Record

  • Sorte, de Nara Vidal ~ romance / Brasil, Moinhos

  • Sua Excelência, de corpo presente, de Pepetela ~ romance / Angola, Dom Quixote/Texto Editores

O júri formado pelos brasileiros Eliane Robert Moraes, Ítalo Moriconi, Maria Esther Maciel e Veronica Stigger; pelos portugueses Ana Sousa Dias, Daniel Jonas e Manuel Frias Martins, e pelo moçambicano Francisco Noa – destacou a capacidade das obras finalistas de associar a qualidade literária às questões contemporâneas. Na lista, figuraram sobretudo narrativas que tratam dos temas da desterritorialização, da inquietação existencial e da sexualidade.

Do conjunto dos livros finalistas, três deles foram editados em dois países: Alguns humanos, do brasileiro Gustavo Pacheco, e Luanda, Lisboa, Paraíso, da portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida, publicados no Brasil e em Portugal, e Sua Excelência, de corpo presente, do Prêmio Camões Pepetela, publicado em Angola e Portugal. Além disso, a lista contou com um estreante: Gustavo Pacheco.

Semifinalistas

O anúncio dos títulos semifinalistas do Oceanos 2019 foi feito no Consulado Geral de Portugal em São Paulo, em agosto. Na ocasião, foram homenageados os vencedores da edição de 2018: a poeta brasileira Marília Garcia, com o livro de poemas Câmera lenta, e o escritor português Bruno Vieira Amaral, com o romance Hoje estarás comigo no paraíso.

Marília Garcia durante performance a partir de Câmera lenta.

Bruno Vieira Amaral e Selma Caetano

Na cerimônia, Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, destacou a importância de projetos culturais que valorizem o livro e a leitura. Não há como avançar no conhecimento se não avançarmos nos números de leitores“, disse.  Mário Mazzili, diretor do Instituto CPFL, apresentou a série Prisma Literário, com os vídeos O lugar da vítima, acerca da narrativa de Bruno, e Infraordinário, em que Marília discute procedimentos adotados em sua produção. A poeta relatou que foi emocionante assistir à transmissão ao vivo da cerimônia no ano passado: quando falaram sobre o vencedor, antes de anunciar o título, pensei: é o meu livro.

Emocionante também foi a leitura de Bruno, de trechos de Hoje estarás comigo no paraíso. Escrever sobre o lugar onde nasci é me ligar profundamente a ele, é possibilitar que outras pessoas também tenham esta ligação“, disse sobre Barreiro, sua cidade natal e onde é ambientada a obra.

A apresentação dos semifinalistas 2019 ficou a cargo dos curadores do Oceanos Selma Caetano e Manuel da Costa Pinto. Entre os 53 títulos, há 25 romances (de 446 inscritos ao prêmio), 17 livros de poesia (de 690 inscritos), sete livros de conto (de 225 inscritos), três de crônica (de 82 inscritos) e um de dramaturgia (de 24 inscritos), com autores de três continentes: 34 brasileiros, 18 portugueses e dois angolanos.

Conheça aqui as obras semifinalistas.

Desde a ampliação do prêmio para todos os países de língua portuguesa, esta é a edição que apresenta maior número de editoras entre os semifinalistas: 23 do Brasil, 12 de Portugal uma de Angola, totalizando 36 editoras.

Os curadores do Oceanos Selma Caetano e Manuel da Costa Pinto

Júri de avaliação

Na primeira etapa de avaliação, compuseram o corpo de 72 jurados – escritores, poetas, professores universitários, jornalistas da cultura e críticos literários – um membro de Angola; 51 do Brasil; um de Cabo Verde; dois de Moçambique e 17 de Portugal.

Conheça aqui os jurados da primeira fase do Oceanos 2019.

Concorrentes

Os 1.467 livros participantes da edição 2019 foram inscritos por 314 diferentes editoras de 10 países. Neste ano, as publicações independentes, com edição do próprio autor, somaram 49 livros e representaram 3,3% do total das inscrições.

Concorreram ao prêmio autores de 11 diferentes origens. Dentre os países de língua portuguesa, tivemos, do continente africano, quatro angolanos (todos publicados em Portugal); dois cabo-verdianos (um publicado em Cabo Verde e um em Portugal); nove moçambicanos (sete publicados em Moçambique, dois em Portugal) e um autor de São Tomé e Príncipe (publicado em Portugal). De Portugal, foram inscritos 145 autores e, do Brasil, 1.300.

Houve ainda livros publicados em cinco países cujo idioma oficial não é o português: Alemanha (com dois livros); EUA (com quatro); Irlanda (dois); Ilhas Maurícias (dois) e Holanda (um).

Dentre as categorias avaliadas pelo Oceanos, poesia – com 690 livros – correspondeu a 47% das inscrições. Os romances somaram 446 obras e representaram 30,4% do total; os livros de contos – 225 inscrições – perfizeram 15,4%, seguidos por 82 volumes de crônicas (5,6%) e 24 obras de dramaturgia (1,6%). Todos os livros concorreram entre si, uma vez que o Oceanos 2019 premiou as três melhores obras publicadas no ano anterior ao da premiação sem distinção de gênero literário.

Conheça aqui a lista de obras concorrentes ao Oceanos 2019.

Parceiros

Celebramos neste ano o primeiro acordo oficial estabelecido entre uma instituição do continente africano, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, e o Oceanos. A parceria reforçou a presença do prêmio em cada vez mais países da CPLP, além de estimular o intercâmbio entre as literaturas de língua portuguesa.

Além dos novos parceiros, o Oceanos seguiu com os patrocínios do Banco Itaú, da República de Portugal (por meio do Fundo de Fomento Cultural Português) e da CPFL Energia, e o apoio do Itaú Cultural e do Instituto CPFL.

Curadores

Participaram do corpo curatorial do Oceanos 2019 a linguista Adelaide Monteiro, curadora da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, a escritora e jornalista Isabel Lucas, de Portugal; a gestora cultural Selma Caetano e o crítico literário Manuel da Costa Pinto, ambos do Brasil.

Conheça aqui os curadores do Oceanos 2019.