Prêmio Oceanos 2022

O escritor timorense Luís Cardoso, autor do romance vencedor do Oceanos 2021, O plantador de abóboras, publicado em Portugal pela editora abysmo e no Brasil pela Todavia | Foto: Daniel Rocha

Semifinalistas

A edição 2022 do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa classificou 65 obras. Na etapa anterior, cada um dos 2.452 livros concorrentes foi lido por três jurados – que atribuíram notas de 1 a 10, incluindo frações. O número superior de livros selecionados – eram previstos 50 semifinalistas – se deve a empates nas notas conferidas aos diferentes livros.

Participam autores de diferentes nacionalidades: 45 escritores brasileiros, 12 portugueses, cinco moçambicanos, uma luso-angolana, um angolano e um cabo-verdiano.

Concorrem agora obras publicadas por 40 diferentes editoras – 25 do Brasil, 11 de Portugal, três de Moçambique e uma de Cabo Verde. Foram classificados 27 romances, 18 livros de poemas, 14 de contos, cinco de crônicas e uma dramaturgia.

Nesta edição, oito autores semifinalistas estão publicados em mais de um país de língua portuguesa – número mais representativo desse intercâmbio literário entre todas as edições do prêmio. Editados no Brasil e em Portugal, concorrem A pediatra, da brasileira Andréa Del Fuego (Companhias das Letras Brasil e Portugal), As doenças do Brasil, do português Valter Hugo Mãe (Biblioteca Azul e Porto), Atirar para o torto, da portuguesa Margarida Vale do Gato (Macondo e Tinta-da-china), Mundo, da portuguesa Ana Luísa Amaral (Assírio & Alvim Brasil e Portugal), Museu da Revolução, do moçambicano João Paulo Borges Coelho (Kapulana e Editorial Caminho), e Vista Chinesa, da brasileira Tatiana Salem Levy (Todavia e Elsinore).

O caçador de elefantes invisíveis, do moçambicano Mia Couto, foi editado em Moçambique e Portugal (Fundação Fernando Leite Couto e Editorial Caminho), e Safras de um triste outono, do cabo-verdiano Arménio Vieira, foi publicado em Cabo Verde e no Brasil (Rosa de Porcelana e Casa Brasileira de Livros).

Mundo, da renomada escritora portuguesa Ana Luísa Amaral, concorre de maneira póstuma, uma vez que o regulamento do prêmio admite a premiação de escritores que venham a falecer após a inscrição do livro. Ana Luísa morreu em 5 de agosto.

Há ainda sete autores estreantes entre os semifinalistas, todos brasileiros: Caetano Romão, com Um nome inteiro disposto à montaria (7Letras); Carol Braga, com Minha raiva com uma poesia que só piora (Urutau); Fábio Horácio-Castro, com O réptil melancólico (Record); Luciana Ticoski, com Área de broca (Nave); Luiza de Carvalho Fariello, com Essa palavra eu não falo (Patuá); Marana Borges, com Mobiliário para uma fuga em março (Dublinense); e Vinícius Mahier, com Eu confundi um vaga-lume com um acidente de avião (Macondo).

 

Júri intermediário

Na etapa que se inicia agora, o júri intermediário faz a seleção dos dez finalistas entre os semifinalistas. Participam Jeferson Tenório, Nina Rizzi, Paulo Scott e Prisca Agustoni, do Brasil; João Luís Barreto Guimarães e José Riço Direitinho, de Portugal; e Teresa Manjate, de Moçambique.

Por fim, na terceira etapa, o júri final elegerá os três vencedores entre os dez finalistas. O valor total do prêmio é de R$ 250 mil – R$ 120 mil para o primeiro colocado, R$ 80 mil para o segundo e R$ 50 mil para o terceiro.

 

Conheça os semifinalistas do Oceanos 2022

A gaivota ou a vida em torno do lago, de Susana Fuentes | 7Letras – Poesia brasileira

A nota amarela, de Gustavo Melo Czekster | Zouk – Romance brasileiro

A pediatra, de Andréa Del Fuego | Companhia das Letras Brasil e Portugal – Romance brasileiro

Afastar-se (treze contos sobre água), de Luísa Costa Gomes | D. Quixote – Conto português

Alguns dias violentos, de Ismar Tirelli Neto | Macondo – Poesia brasileira

América – um poema de amor, de Mariana Ianelli | Ardotempo – Poesia brasileira

Área de broca, de Luciana Tiscoski | Nave – Conto brasileiro

As doenças do Brasil, de Valter Hugo Mãe | Porto e Biblioteca Azul – Romance português

As formigas do Tavinho e outras recordações, de Almiro Lobo | Alcance – Conto moçambicano

Atirar para o torto, de Margarida Vale de Gato | Tinta-da-china e Macondo – Poesia portuguesa

Autobiografia não autorizada, de Dulce Maria Cardoso | Tinta-da-china – Crônica portuguesa

Baixo esplendor, de Marçal Aquino | Companhia das Letras – Romance brasileiro

Bicho geográfico, de Bernardo Brayner | Cepe – Romance brasileiro

Clube dos niilistas, de Tom Correia | Urutau – Conto brasileiro

De cada quinhentos uma alma, de Ana Paula Maia | Companhia das Letras – Romance brasileiro

Degeneração, de Fernando Bonassi | Record – Romance brasileiro

Deste silêncio em mim, de Rui Conceição Silva | Visgarolho – Romance português

Deus Pátria Família, de Hugo Gonçalves | Companhia das Letras Portugal – Romance português

Discurso sobre a metástase, de André Sant’Anna | Todavia – Conto brasileiro

Elefantes no céu de Piedade, de Fernando Molica | Patuá – Romance brasileiro

Essa palavra eu não falo, de Luiza de Carvalho Fariello | Patuá – Conto brasileiro

Eu confundi um vaga-lume com um acidente de avião, de Vinícius Mahier | Macondo – Poesia brasileira

Impressão sua, de André Dahmer | Companhia das Letras – Poesia brasileira

Introdução à pintura rupestre, de José Tolentino Mendonça | Assírio & Alvim – Poesia portuguesa

Jerusalém de nós – peça em um ato, de Leo Lama | É Realizações – Dramaturgia brasileira

Líbano, labirinto, de Alexandra Lucas Coelho | Editorial Caminho – Crônica portuguesa

Máquina, de Eleazar Venancio Carrias | Urutau – Poesia brasileira

Maremoto, de Djaimilia Pereira de Almeida | Relógio D’Água – Romance luso-angolano

Menino sem passado, de Silviano Santiago | Companhia das Letras – Romance brasileiro

Minha raiva com uma poesia que só piora, de Carol Braga | Urutau – Poesia brasileira

Mobiliário para uma fuga em março, de Marana Borges | Dublinense – Romance brasileiro

Mundo, de Ana Luísa Amaral | Assírio & Alvim Portugal e Brasil – Poesia portuguesa

Museu da Revolução, de João Paulo Borges Coelho | Editorial Caminho e Kapulana – Romance moçambicano

Nós só compreendemos muito depois, de Laís Araruna de Aquino | Corsário-Satã – Poesia brasileira

Notas sobre a impermanência, de Paula Gicovate | Faria e Silva – Romance brasileiro

O caçador de elefantes invisíveis, de Mia Couto | Fundação Fernando Leite Couto e Editorial Caminho – Conto moçambicano

O canto dela, de Ana Kiffer | Patuá – Romance brasileiro

O castiçal florentino, de Paulo Henriques Britto | Companhia das Letras – Conto brasileiro

O deus das avencas, de Daniel Galera | Companhia das Letras – Conto brasileiro

O drible da vaca, de Mario Prata | Record – Romance brasileiro

O evangelho segundo Madalena, de Marcelo Pagliosa | Reformatório – Romance brasileiro

O livro do homem líquido, de Pedro Pereira Lopes | Gala-Gala Edições – Conto moçambicano

O livro dos pequenos nãos, de Heloisa Seixas | Companhia das Letras – Romance brasileiro

O mais belo fim do mundo, de José Eduardo Agualusa | Quetzal – Crônica angolana

O réptil melancólico, de Fábio Horácio-Castro | Record – Romance brasileiro

O rinoceronte na parede, de Frederico de Oliveira Toscano | Urutau – Conto brasileiro

O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk | Companhia das Letras – Romance brasileiro

Purgatório, de Pedro Eiras | Assírio & Alvim – Poesia portuguesa

Quarentena – uma história de amor, de José Gardeazabal | Companhia das Letras Portugal – Romance português

Quem tá vivo levanta a mão, de Maria Fernanda Elias Maglio | Patuá – Conto brasileiro

Querida cidade, de Antônio Torres | Record – Romance brasileiro

Resistências íntimas e outros itinerários, de Lucilene Machado | Patuá – Crônica brasileira

Risque esta palavra, de Ana Martins Marques | Companhia das Letras – Poesia brasileira

Safras de um triste outono, de Arménio Vieira | Rosa de Porcelana e Casa Brasileira de Livros – Poesia cabo-verdiana

Só as hienas matam sorrindo, de Aramyz | Urutau – Conto brasileiro

Também guardamos pedras aqui, de Luiza Romão | Nós – Poesia brasileira

Tornado, de Teresa Noronha | Exclamação – Romance moçambicano

Transfer, de Kevin Kraus | Editacuja – Crônica brasileira

Tristia, de António Cabrita | Porto – Poesia portuguesa

Um nome inteiro disposto à montaria, de Caetano Romão | 7Letras – Poesia brasileira

Uma exposição, de Ieda Magri | Relicário – Romance brasileiro

Vazão 10.8 – a última gota de morfina, de Diógenes Moura | Vento Leste – Romance brasileiro

Vingar, de Danielle Magalhães | 7Letras – Poesia brasileira

Virando o Ipiranga, de Guilherme Purvin | Terra Redonda – Conto brasileiro

Vista Chinesa, de Tatiana Salem Levy | Todavia e Elsinore – Romance brasileiro

 

Concorrentes

Os 2.452 títulos concorrentes ao Oceanos 2022 foram escritos por autores de 17 diferentes nacionalidades e publicados em sete países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal.

Houve crescimento de 34% no número de obras inscritas em relação à edição anterior: 621 livros a mais que os 1.831 concorrentes ao Oceanos 2021.

Apenas do continente africano, o aumento foi de 121% no número de escritores participantes. Foram inscritos 62 livros de autores nascidos em Angola (18), Cabo-Verde (oito), Guiné-Bissau (três), Moçambique (31) e São Tomé e Príncipe (dois), todos escrevendo e publicando originalmente em língua portuguesa.

Dentre os gêneros literários avaliados, a poesia – com 1.130 livros – correspondeu a 46,1% das inscrições. Os romances somaram 743 obras e representaram 30,3% do total; os livros de contos – 372 inscrições – perfizeram 15,2%, seguidos por 156 volumes de crônicas – 6,4% – e 51 obras de dramaturgia – 2,1%.

A lista de livros concorrentes está disponível aqui.

Acesse o Regulamento do Oceanos 2022.

 

Processo

Entre maio e agosto deste ano, os livros inscritos foram lidos e avaliados por um júri internacional composto por 122 escritores, poetas, professores e críticos literários. Esse primeiro júri elegeu as 65 obras semifinalistas e escolheu, por votação, os membros dos júris subsequentes (intermediário e final).

Conheça aqui os jurados da primeira fase do Oceanos 2022.

Na segunda etapa, o júri intermediário seleciona dez finalistas entre os semifinalistas eleitos pelo júri anterior. Na terceira etapa, o júri final elege os três vencedores entre os dez finalistas.

 

Mapeamento

Todos os livros concorrentes ao Oceanos 2022 terão os seus aspectos gerais – estéticos e temáticos – catalogados na segunda edição do Mapeamento das Literaturas em Língua Portuguesa, realizado em parceria com o Instituo Cultural Vale. Durante a avaliação das obras pelo júri de avaliação do Oceanos, 41 professores ficaram responsáveis pela leitura e análise do conjunto de 2.452 inscritos. Os resultados – em contraponto com as análises obtidas na edição anterior – serão apresentados no final deste ano.

Os dados do Oceanos – Mapeamento 2021 estão disponíveis na plataforma digital do projeto.

 

Curadoria e coordenação

Participam da curadoria do Oceanos 2022 o moçambicano Nataniel Ngomane, professor da Universidade Eduardo Mondlane e presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa de Moçambique, os jornalistas Isabel Lucas, de Portugal, e Manuel da Costa Pinto, do Brasil, e a pesquisadora Matilde Santos, de Cabo Verde, que também é curadora da Biblioteca Nacional do país. A coordenação-geral fica a cargo da gestora cultural luso-brasileira Selma Caetano.

 

Parcerias

O Oceanos é realizado via Lei de Incentivo à Cultura, pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, e conta com o patrocínio do Banco Itaú e da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas da República Portuguesa (DGLAB); com o apoio do Itaú Cultural, do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa e do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde; e com o apoio institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).