Prêmio Oceanos 2018

Cerimônia de anúncio dos vencedores de 2018

Da esquerda para a direita, Selma Caetano, curadora-coordenadora do Prêmio Oceanos, José Manuel Cortês, subdiretor-geral da DGLAB, Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, Dra. Graça Fonseca, ministra da Cultura de Portugal e Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República de Portugal.

Pela primeira vez, o anúncio dos vencedores do Prêmio Oceanos aconteceu fora do Brasil. No dia 7 de dezembro de 2018, os livros premiados foram conhecidos em cerimônia na Sala D. Luís I, no Palácio da Ajuda, em Lisboa. O evento contou com presenças célebres, como o presidente da República de Portugal, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, a ministra da Cultura de Portugal, Dra. Graça Fonseca, o embaixador do Brasil em Portugal, Luiz Alberto Figueiredo Machado, e o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, além dos curadores do prêmio e dos jurados da Angola, do Brasil e de Portugal.

Câmara lenta nos mostra o poema no ato da escrita com suas inquietações, ironias, divagações e até homenagens”, disse o presidente da República de Portugal Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, durante o anúncio da primeira vencedora.

Anunciada pelo presidente da República de Portugal, Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, a poeta brasileira Marília Garcia conquistou o primeiro lugar no Prêmio Oceanos 2018 com o livro “Câmera lenta”.

Vencedores do Oceanos 2018

Em reunião realizada em Lisboa, no dia 6 de dezembro, o Júri Final escolheu os quatro livros vencedores da edição de 2018: em 1º lugar, Câmera lenta, livro de poesia da brasileira Marília Garcia; em 2º lugar, Hoje estarás comigo no paraíso, romance do português Bruno Vieira Amaral; em 3º lugar, A noite imóvel, livro de poesia do português Luís Quintais e, em 4º lugar, O deus restante, livro de poesia do moçambicano Luís Carlos Patraquim.

A Ministra da Cultura de Portugal, Dra. Graça Fonseca, anunciou o romance o segundo vencedor, o romance “Hoje estarás comigo no paraíso”.

A realização da etapa final do prêmio em Portugal reforçou a proposta do Oceanos de promover o intercâmbio da literatura em língua portuguesa. Ampliou-se, assim, a abrangência cultural e a repercussão do prêmio no mundo, e se fortaleceu a governança do Oceanos pelo Itaú Cultural, que forneceu a tecnologia que permitiu que os livros circulassem digitalmente entre curadores e jurados dos diferentes países de língua portuguesa; e da República de Portugal, que permitiu a participação de jurados portugueses, angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos.

O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, anunciou o terceiro vencedor do Oceanos 2018, o livro de poemas “A Noite Imóvel”, de Luís Quintais.

Manuel da Costa Pinto, crítico literário e curador do Oceanos 2018, anunciou o quarto lugar para “O deus restante”, de Luís Carlos Patraquim.

O Júri Final foi composto pela angolana Ana Paula Tavares, pelos portugueses Helena Buescu e Pedro Mexia, e pelos brasileiros Flora Sussekind, Heitor Ferraz Mello e Julián Fuks. Também de modo inédito na história do prêmio, as obras de poesia prevaleceram sobre os livros de prosa, uma delas de autoria de um escritor moçambicano – Luís Carlos Patraquim foi primeiro autor do continente africano classificado entre os quatro vencedores do Oceanos.

Durante a premiação, transmitida ao vivo para todos os países de língua portuguesa, o poeta brasileiro Mariano Marovatto e a atriz portuguesa Mónica Calle realizaram leituras das obras finalistas com atuações em que personificaram alternadamente seus autores.

Assista à transmissão da cerimônia de premiação:

 

 

Prisma Literário

Com o apoio do Instituto CPFL e da CPFL Energia, o Oceanos vem realizando uma série de vídeos sobre literatura contemporânea intitulada Prisma Literário. Na edição de 2018 do prêmio, foram realizados seis vídeos com vencedores, finalistas e escritores indígenas convidados. A seguir, assista aos episódios da série com dois dos vencedores do Oceanos 2018, Marília Garcia e Bruno Vieira Amaral. Nos vídeos, os autores exploram diferentes aspectos da própria obra.

Finalistas do Oceanos 2018

Os 10 finalistas da edição de 2018 foram eleitos em reunião no Itaú Cultural, no dia 29 de outubro, por consenso dos oito membros do Júri Intermediário. Com total equilíbrio entre os gêneros, foram contemplados cinco livros de prosa e cinco livros de poesia.

Prosa

Foram escolhidos dois romances de autores brasileiros – A noite da espera, de Milton Hatoum e Pai, pai, de João Silvério Trevisan – e dois de autores portugueses — As pessoas do drama, de H. G. Cancela, e Hoje estarás comigo no paraíso, de Bruno Vieira Amaral. E o livro de contos Anjo noturno, do brasileiro Sérgio Sant’Anna.

Poesia

Os cinco livros de poesia classificados representam três países: O Deus restante, de Luís Carlos Patraquim, e Vácuos, de Mbate Pedro, ambos de Moçambique; Antiboi, de Ricardo Aleixo, e Câmera lenta, de Marília Garcia, do Brasil; e A noite imóvel, de Luís Quintais, de Portugal.

Assista aqui a uma breve análise da 2ª etapa do Oceanos 2018 pela curadoria, composta pela escritora e jornalista Isabel Lucas, de Portugal; pela gestora cultural Selma Caetano, pela editora Mirna Queiroz e pelo jornalista Manuel da Costa Pinto, do Brasil.

Os membros do Jurí Intermediário que avaliaram as 60 obras semifinalistas e elegeram os finalistas foram Ana Paula Tavares, de Angola; Daniel Munduruku, Flora Sussekind, Heitor Ferraz e Julián Fuks, do Brasil; Helena Buescu, Maria João Cantinho e Pedro Mexia, de Portugal.

Após os trabalhos conjuntos, os jurados do Oceanos 2018 concluíram:

Nas 10 obras consensualmente escolhidas pelo júri como semifinalistas do Oceanos, há a destacar o trabalho de fluidez entre gêneros literários, de forma a interrogar as suas fronteiras; a esta questão se associa o jogo entre forma breve e poema longo, visível quer nas cinco obras de poesia quer nas cinco obras de ficção narrativa. Além disso, destacam-se como linhas temáticas da produção literária de 2017, simultaneamente representadas nas obras selecionadas para a final, um movimento autobiográfico que não se esgota num enclausuramento do eu, bem como a interrogação das histórias familiares, enquanto heranças que transportam mistérios, segredos e diversas formas de violência”.

Ana Paula Taveres
Angola

Daniel Munduruku
Brasil

Flora Sussekind
Brasil

Heitor Ferraz
Brasil

Helena Buescu
Portugal

Julián Fuks
Brasil

Maria João Cantinho
Portugal

Pedro Mexia
Portugal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conheça aqui um pouco mais sobre o júri que selecionou os 10 finalistas.

Isabel Lucas (Portugal); Selma Caetano, Manuel da Costa Pinto e Mirna Queiroz (Brasil).

 

Prisma Literário

Além dos vencedores, finalistas do Oceanos 2018 também foram escolhidos pelos curadores para mais dois episódios da série Prisma Literário, com o apoio do Instituto CPFL e da CPFL Energia. Em “Algo de físico na escrita”, o poeta, performer e artista visual Ricardo Aleixo, autor de Antiboi, reflete sobre seu processo de criação. Em “Exílios”, o escritor Milton Hatoum discute política e memória a partir do romance A noite da espera.

Semifinalistas do Oceanos 2018

A primeira fase de análise das obras concorrentes ao Prêmio Oceanos elegeu 60 semifinalistas entre os 1.364 livros inscritos. Foram classificados autores de origens diversas: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste – todos integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Entre os semifinalistas, seis obras – cinco de Moçambique e uma de Cabo Verde – representaram o continente africano, número recorde na história do prêmio.

Destacou-se ainda a presença inédita entre os semifinalistas de um escritor timorense: o romancista Luís Cardoso. Houve ainda, pela primeira vez, três semifinalistas nascidos em países em que a língua portuguesa não é língua oficial ou de expressão, mas que adotam o português como idioma literário: a escritora romena Golgona Anghel, o espanhol Alfonso Pexegueiro (ambos publicados em Portugal) e a suíça Prisca Agustoni (publicada no Brasil).

Além disso, dois autores portugueses se tornaram semifinalistas com obras com primeira edição no Brasil: António Carlos Cortez e Judite Canha Fernandes.

O regulamento previa uma lista de 50 semifinalistas. Porém, empates técnicos nas últimas colocações determinaram a inclusão de 10 livros, classificando 60 títulos. 34 diferentes editoras publicaram os semifinalistas – o que denota a diversidade do circuito editorial que lança obras em língua portuguesa.

Veja aqui a lista completa de semifinalistas.

Inscrições

O Oceanos 2018 teve número recorde de inscrições – 1.364 obras de 346 editoras diferentes. A poesia despontou com mais de 40% dos livros inscritos. Os romances ficaram em segundo lugar, representando cerca de 35% do total das inscrições, mais que o dobro da parcela representada por livros de conto.

Veja aqui as obras concorrentes.

Embora Brasil e Portugal respondam por 95% das inscrições, a edição deste ano apresenta um aumento expressivo no número de livros publicados originalmente por editoras sediadas no continente africano – Moçambique, Cabo Verde e Angola: 37 livros, contrastando com os seis da edição anterior. Contribuíram para a adesão das editoras africanas ao Oceanos a presença de jurados como Filinto Elísio, de Cabo Verde, Ondjaki e Ana Paula Tavares, ambos de Angola.

Em resposta ao crescimento no número de inscrições, o Oceanos ampliou e diversificou seu corpo de jurados. Graças ao apoio do Fundo de Fomento Português, a edição de 2018 do prêmio contou com 20 jurados de Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde. O apoio do Itaú Cultural possibilitou a participação de 53 jurados de diferentes regiões do Brasil.

Veja aqui quem foram os jurados e curadores desta edição.

Entre os 1.364 livros inscritos, apenas três tiveram edições em mais de um país: A sociedade dos sonhadores involuntários, do angolano José Eduardo Agualusa (publicado em Portugal pela Quetzal e no Brasil pelo selo Tusquets, da Planeta); Rua antes do céu, do cabo-verdiano José Luiz Tavares (pela portuguesa Abysmo e pela cabo-verdiana Rosa de Porcelana); e O bebedor de horizontes, de Mia Couto (pela Caminho, em Portugal, e pela Fundação Fernando Leite Couto, de Moçambique).

Esse dado demonstra a necessidade de se criarem instrumentos de difusão das literaturas em língua portuguesa para buscar maior integração e conhecimento recíproco entre as comunidades que se expressam no idioma.